Uma rosa sempre será rosa.
Mesmo quando o vento
lhe arranca as pétalas.

Mesmo quando a noite
lhe rouba as cores.
Mesmo quando o tempo
lhe seca o perfume.

Ela não tenta convencer ninguém
de que continua sendo bela.

Não implora para que a admirem.
Não disputa espaço
com as flores mais jovens.

Ela apenas é.

Porque há uma verdade
que só a natureza conhece:
a essência não mora nas pétalas.

Mora naquilo
que nem o inverno consegue tocar.

Talvez conosco aconteça o mesmo.
A vida nos despedaça.
Arranca sonhos.
Silencia sorrisos.
Leva pessoas que imaginávamos eternas.

Marca o rosto.
Cansa a alma.
E, por um instante,
acreditamos que deixamos de ser
quem éramos.

Mas não.

A dor muda a aparência.
Nunca a essência.

Quem nasceu para ser luz
continuará iluminando,
mesmo entre ruínas.

Quem nasceu para amar
continuará oferecendo abrigo,
mesmo carregando
o próprio peito em pedaços.

Quem nasceu íntegro
não deixa de existir
porque a tempestade passou por ele.

As cicatrizes não substituem
aquilo que somos.

Apenas contam
a história de tudo
o que conseguimos sobreviver.

Por isso,
quando olhar uma rosa
de pétalas rasgadas,
não sinta pena.

Ela continua sendo rosa.

Assim como você
continua sendo você,
mesmo depois das perdas,
das despedidas,
das noites sem resposta
e dos dias em que a vida
pareceu levar tudo.

Porque existem belezas
que não florescem na aparência.

Florescem naquilo
que permaneceu vivo
quando todo o resto
já havia partido.