Ali, entre as sombras do campo,
o vento sussurrava teu nome,
e o perfume dos girassóis
erguia-se como promessa de sol.
Teus olhos; duas manhãs presas em névoa;
buscaram os meus,
e bastou o silêncio para que a terra
sentisse o pulsar de nossos desejos.
Entre montanhas, o rio se abria lento,
como se o tempo temesse nos ver.
Tuas mãos eram raízes,
meus lábios, pétalas sedentas de abrigo.
A lua, cúmplice de nossas faltas,
brilhou sobre o campo adormecido,
e o orvalho, em prece,
vestiu nossos corpos de aurora.
Mas veio o adeus;
feito chuva que o sol não esperava.
Ficaram os girassóis, imóveis,
voltados para o vazio do horizonte,
guardando em cada haste o eco
do nosso último suspiro.
E desde então, amor,
toda flor amarela me olha
como se soubesse teu nome.
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