Há uma rosa que se abre inteira,
radiante, quase perfeita,
como se nunca tivesse conhecido
a secura, o medo ou a espera.

E há os galhos…
Plantados na mesma terra,
regados pelas mesmas mãos,
carregando dentro de si
a promessa de repetir aquela beleza.

Alguns brotam.
Outros permanecem em silêncio.
E alguns, apesar de todo o cuidado,
começam lentamente a morrer.

Talvez a vida também seja assim.

Nem tudo aquilo que nasce de algo belo
está destinado a florescer da mesma maneira.
Nem todo sonho herdará as cores
da esperança que o originou.

Há tentativas que criam raízes,
outras que mal conseguem tocar a terra.
Há planos que se cobrem de folhas
e outros que secam
antes mesmo de conhecer a primavera.

Mas isso não significa
que tenha sido inútil plantar.

O fracasso de um galho
não apaga a beleza da rosa,
nem torna menos verdadeiro
o cuidado de quem colocou esperança na terra.

Porque viver não é garantir flores.
É continuar plantando,
mesmo depois de descobrir
que algumas sementes não despertam,
que certos galhos não resistem
e que nem toda espera será recompensada
da maneira como imaginamos.

Talvez a coragem não esteja
em florescer sempre,
mas em não abandonar o jardim
por causa daquilo que morreu.

Enquanto houver um pequeno broto,
a vida ainda estará dizendo baixinho:
“Nem tudo deu certo…
mas nem tudo está perdido.”

E, às vezes,
é de um galho quase esquecido,
aparentemente frágil e sem futuro,
que nasce a flor mais bonita,
não porque desconheceu o fracasso,
mas porque encontrou forças
para florescer ao lado dele.