Dois ventos se encontravam sobre a mesma paisagem,
misturando calor e tempestade,
até que já não fosse possível distinguir
qual sopro pertencia a qual horizonte.

O coração era trovão;
rápido, insistente, indomável.

A respiração vinha em pequenas rajadas,
e a pele, coberta pelo orvalho do encontro,
arrepiava-se antes mesmo de o vento passar.

Os corpos eram duas marés
trocando força, calor e correnteza,
ora avançando, ora recuando,
até aprenderem o mesmo ritmo.

Então veio o instante
em que toda a natureza pareceu perder o equilíbrio.

A montanha tremeu.
O mar se ergueu.
A tempestade rompeu as nuvens
e a chuva finalmente caiu sobre a paisagem,
correndo pelas curvas da terra aquecida.

Por alguns segundos,
não havia pensamento nem distância;
apenas pulsações, tremores,
fôlego entrecortado
e dois corações tentando alcançar um ao outro.

Depois, lentamente, veio a calmaria.

E sobre a pele ainda arrepiada
restou aquele calor úmido de verão,
como se a própria natureza confessasse, em silêncio,
que existem tempestades das quais ninguém deseja abrigo.