A chuva pousa suave
como quem desperta segredos na pele,
e a rosa, incendiada em tons de aurora,
abre-se lenta, guardando no ventre
o brilho que o tempo não conseguiu levar.
Cada gota é memória,
é ferida lavada,
é promessa de que até o que pesa
pode virar perfume.
No jardim, tudo floresce quando é cuidado.
E assim como um jardim precisa de mãos ternas
e de um coração que saiba acolher,
nós também precisamos desse carinho
para continuar a florescer.
Porque até a rosa mais forte sente frio na tempestade
e precisa do gesto certo para continuar viva.
A rosa, essa chama úmida,
me lembra que a vida também é assim:
requer paciência,
olhares que enxergam além da dor,
e a coragem de despetalar o medo
para abrir espaço ao renascer.
Porque crescer dói,
mas florescer… ah, florescer é sagrado.
É permitir que a chuva nos toque
sem apagarmos a própria cor.
E enquanto a rosa respira o mundo,
aprendo que o meu jardim interior
também precisa de tempo,
também precisa de chuva,
também precisa de mim.
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